Realmente, foi a viagem mais marcante que fiz!
Veja abaixo os depoimento de 1) André Stern, geólogo, professor e guia, dono da Araribá Turismo e Cultura e um dos organizadores das trilhas percorridas pelos jovens das Casas Taiguara ao PETAR, em dezembro de 2010; 2) Da Jornalista Silvia Regina de Jesus, que acompanhou a meninada em mais uma aventura Taiguara.
1) André Stern
“Foi uma experiência incrível. Realmente a viagem mais marcante que fiz nos últimos anos.Nem tanto por causa da Mata Atlântica intocada ou das cavernas, nem do tempo, ou mesmo das atividades: e sim por causa do grupo: os jovens da Casa Taiguara.
Os jovens e educadores da Taiguara foram incríveis no companheirismo, animação, respeito, interesse, e outros tantos aspectos importantíssimos durante a nossa convivência. Cativaram a todos no PETAR: guias, motoristas, cozinheiras… Sem exceção, todos aqueles que tiveram um contato maior com estes jovens ficaram emocionados pela maneira que convivem entre si e com os novatos do grupo.
Queria que nestes meus quase 16 anos, passados, como guia de viagens, professor, educador… Tivesse tido, ao menos, outro grupo assim! Gostaria de puder participar de outras expedições da Casa Taiguara, para onde quer que seja, e para onde for. Podem contar comigo!! Confiram as fotos abaixo de nossa expedição!
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2) Silvia Regina de Jesus
Ninguém sai ileso de uma caverna, assim como não sai ileso de sua própria existência. Neste contexto, a Casa Taiguara acaba por ser mais que uma morada para jovens em risco social, se torna um espaço para fazer viver, da melhor maneira, o melhor que a vida tem.
A princípio, me pareceram mais velhos do realmente são. Além de suas experiências, precedentes à estadia na Taiguara, são viajados, conhecem recantos do Brasil que tantos não tiveram a oportunidade de conhecer. Depois, com o passar das horas e com o envolvimento dos sentidos, me colocando à disposição de todas as falas, das ideias, das emoções e afetividades, percebi que falam alto porque temem e que riem porque já choraram e se cansaram disso. Abraçaram a oportunidade que poucos, na mesma situação, têm de viver e aproveitar o dia. Um de cada vez.
Perguntei sobre o futuro e todos, sem exceção, hesitaram em responder. Eles não sabem falar de futuro, eles não planejam, parecem não querer traçar objetivos. Que coisa é essa capaz de tirar a habilidade do sonho da vida de alguém? Fui insistente e acho que recebi respostas coladas de personagens da TV, assumidas como próprias, mas, de qualquer forma, sei que os fiz pensar, mesmo que por uns poucos minutos, a cerca dos desejos para o futuro.
Afinal, existe um depois para o qual estes meninos e meninas estão sendo preparados, despercebidamente. E é uma posteridade roteirizada tal e qual um plano de vôo sem conhecimento prévio sobre o local de pouso. A única certeza que se pode ter sobre a aterrissagem desses viajantes é que, neste instante, geologicamente falando, os educandos que eu conheci, estão sendo preservados, restabelecidos e preparados para, quem sabe, deixar aflorar de si aquilo que não foi perdido.
A proposta das viagens para os jovens da Taiguara é tão boa quanto um banco de escola, do qual a maioria teve e têm problemas em permanecer. A experiência de vida conquistada com a possibilidade de ver a vida com seus próprios olhos, condômino nenhum ganharia viajando o mundo centenas de vezes.
Eles têm ganhado como souvenir tijolos para reconstruir sua auto-imagem diante do espelho e do mundo, vivendo uma vida real, não uma realidade dentre as muitas difundidas de acordo com a classe social e as condições em que nasceram. Eles foram içados a um plano onde ganham proteção sem que tenham a possibilidade de esquecerem de si e dos outros. Neste patamar, os outros existem e fazem parte da história de cada um. Trata-se, a meu ver de um tempo dentro do tempo para a reorganização do si mesmo e com isso ter coragem de sonhar, planejar, novamente ou pela primeira vez. Tudo que é nato neste nosso mundo pode, portanto, ser reescrito enquanto estivermos no tempo que o tempo tem para piscar nossa vida em sua própria história.
Sobre a autora:
Silvia Regina de Jesus é doutoranda e mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduada em Comunicação Social. Além disso, pertence ao corpo editorial da Revista Nexi (Comunicação e semiótica/ PUC-SP) e é editora de Gostonomia (www.gostonomia.com.br ) , escrevendo contos e reflexões sobre gosto.















Uma resposta
Realmente uma bela iniciativa! Parabéns!