 A Moradia Associação Civil é instituição sem fins lucrativos que responde juridicamente pelas Casas Taiguara e Taiguarinha. A instituição tem reconhecimento de “utilidade pública” nos três âmbitos governamentais: federal, estadual e municipal. Foi criada em 1993 pelo escritor e industrial Daniel Fresnot.
No princípio, a idéia de atuação da instituição focava-se no problema habitacional das comunidades em situação de vulnerabilidade social dos bairros periféricos da cidade de São Paulo. A compra e construção de casas e barracos, o desenvolvimento de materiais de construção a baixo custo e até o pagamento de dívidas de aluguéis vencidos eram atividades desenvolvidas pela Moradia.
No entanto, em 1994, o Sr. Fresnot, em viajem à França, visitou a Exposição Crianças da Arte/Rua e travou contato com a Enda Bolivia, ONG atuante na cidade de La Paz. A Enda relatava o sucesso na criação de abrigos 24 horas para crianças em situação de rua que sofriam com as noites gélidas da capital boliviana, situada a 4.000 metros de altura. Em oito anos de atuação, a Enda havia multiplicado de uma para dez unidades, atendendo 3500 jovens por ano.
A idéia foi assim trazida para o Brasil e em 1996, com ajuda de voluntários franceses e brasileiros, a Casa Taiguara foi fundada no bairro da Bela Vista, região central da capital paulista, muito procurada por crianças e jovens em situação de risco. No início, a Casa funcionava apenas pelo período noturno, porém, logo sentiu-se a necessidade de abri-la em tempo integral, a exemplo da Enda, tornando-se assim na primeira casa de acolhida 24 horas de São Paulo.
Antes da criação das Casas Taiguara, havia um lapso entre os programas sociais oferecidos pelo Governo para as crianças e jovens de rua, pois havia política pública para a primeira etapa - abordagem na rua - e existiam os abrigos que traduziam-se numa política destinada às crianças aptas ao convívio social estruturado. Sendo assim, não havia conexão entre um mundo e o outro e assim as crianças que não podiam ser abrigadas, não encontravam alternativa para um atendimento 24 horas.
Conseqüentemente, a falta deste serviço acarretava um estrangulamento na rede estrutural de atendimento. A Casa Taiguara serviu como a etapa intermediária capaz de preparar e educar a criança para encaminhá-la para os abrigos de longa permanência ou reintegrá-la à sua respectiva família.
Desta forma, reconheceu-se como sendo uma política pública municipal e a prefeitura através de suas regionais começou a implantar outras casas de acolhimento no modelo das Casas Taiguara e Taiguarinha.
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